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quinta-feira, 29 de agosto de 2013


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Musculação ajuda pacientes com câncer de Próstata

Há muito tempo foi reconhecido no campo da fisiologia do exercício que um programa de musculação bem planejado pode reduzir a perda de massa muscular que acompanha o envelhecimento.
Um estudo publicado este ano no Journals of Gerontology concluiu que esta modalidade física também pode ocasionar benefícios para pacientes, que sofrem de câncer de próstata e que são submetidos a Terapia de Privação de Andrógeno (TPA).
Esta terapia é um tratamento que suprime os níveis de testosterona (principal hormônio masculino), que embora tenha muitas funções importantes, também pode estimular o crescimento de células cancerígenas da próstata.
Segundo o Dr. Ira Sharlip, um respeitado professor de urologia da University of California San Francisco (UCSF), e que não possui nenhum relacionamento com o estudo, o câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum na população masculina nos Estados Unidos.
“Os pacientes com câncer de próstata metastático são direcionados para a terapia de privação de andrógeno, o que ocasiona neles ao longo do tratamento níveis pré-púberais de testosterona, ou seja, níveis encontrados em jovens antes da puberdade que são considerados fisiologicamente insignificantes (insuficientes) para um adulto”, afirmou o Dr. Sharlip.
A supressão da testosterona endógena que é resultado do tratamento TPA, ocasiona efeitos colaterais desconfortáveis aos pacientes, como por exemplo, a redução da massa muscular, da força e resulta em níveis mais elevados de fadiga e de gordura corporal. O recente estudo sugere uma possível forma de combater alguns desses efeitos.
A investigação, que foi conduzida pelos pesquisadores da University of Maryland, concluiu que os pacientes com câncer de próstata submetidos a TPA, e que aderiram a um programa de musculação, tiveram um aumento significativo do volume da massa muscular, da potência e da força. Além disso, os participantes apresentaram melhorias significativas no desempenho funcional relacionados ao cotidiano, na resistência muscular e na qualidade de vida.
Desse modo, os investigadores concluíram que a adesão a um programa de musculação aumentou a massa muscular dos pacientes, mesmo com níveis insignificantes de testosterona. Consequentemente, tal modalide física pode ser uma peça fundamental no combate aos efeitos adversos ligados a TPA em indivíduos com câncer de próstata.
Outros estudos também examinaram o papel da musculação em pacientes com câncer de próstata submetidos a TPA. No entanto, o estudo dos pesquisadores da University of Maryland foi o primeiro a relatar os aumentos da massa muscular total e de medições diretas da hipertrofia em pacientes com esse quadro clínico, que haviam sido submetidos a um programa de musculação.
“Nosso estudo foi o primeiro realizado somente em pacientes afro-americanos, mas nossas observações sobre os benefícios da prática da modalidade em pacientes com câncer de próstata submetidos à terapia de privação de andrógeno podem ser estendidas a outras etnias,” acrescentou o Dr. Ben Hurley, que é um dos principais investigadores do estudo.
Além disso, solicitei ao Dr. Hurley que comentasse sobre o fato de a hipertrofia muscular ocorrer nos participantes da investigação, apesar de os níveis da testosterona serem considerados insignificantes nesse contexto.
De acordo com ele, há uma concepção enraizada dentro da literatura da fisiologia do exercício, que a testosterona é necessária, que ela é um pré-requisito indispensável para o aumento da massa muscular, mas que no entanto, o seu estudo mostrou que não é esse o caso.
“O nosso estudo sugere que, mesmo quando as pessoas têm uma drástica redução no nível de testosterona, existe algum tipo de mecanismo compensatório dentro do organismo que não sabemos exatamente definí-lo, que passa a funcionar permitindo suprir tal perda, a fim de aumentar a massa muscular”, acrescentou o Dr. Hurley.
Assim sendo, compreende-se que as diversas hipóteses envolvendo os mecanismos fisiológicos específicos pelos quais a hipertrofia muscular ocorre em pacientes, apesar deles terem níveis de testosterona insignificantes, é um assunto de grande curiosidade dentro do meio científico.
Consequentemente, em conversa pelo telefone, eu perguntei ao Dr. Stefano Schiaffino, um especialista dentro da fisiologia muscular no Venetian Institute of Molecular Medicine, sobre a hipertrofia obtida pelos pacientes apesar deles terem níveis baixos de testosterona.
De acordo com ele, o efeito da prática da musculação pode aumentar a massa muscular nos praticantes através de mecanismos fisiológicos que são independentes dos níveis de testosterona. “A hipertrofia do músculo é controlada por uma variedade de vias de sinalização, algumas das quais foram recentemente descobertas e estão relacionadas com as proteínas morfogenéticas do osso (BMPs). Estas proteínas parecem ser responsáveis pela hipertrofia muscular induzida por mutações da miostatina”. Ele complementa, “Esta importante descoberta realizada pelo grupo de pesquisa liderado pelo Dr. Marco Sandri no Venetian Institute of Molecular Medicine em Pádua será publicada em breve na revista Nature Genetics“.
Embora os benefícios fisiológicos acarretados pela prática regular dos exercícios aeróbicos sejam mais do que reconhecidos há algum tempo, a importância da musculação tem sido ofuscada e não tem recebido o devido reconhecimento por muitos. Por outro lado, à medida que um número maior de pesquisadores passar a conduzir estudos que utilizem a musculação para tratar pacientes com outros quadros clínicos, os seus benefícios provavelmente ficarão ainda mais em evidência.

 Fonte: http://blogs.estadao.com.br/ricardo-guerra/musculacao-ajuda-pacientes-com-cancer/

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Meninas estão expostas ao HPV mesmo antes do sexo (Cláudia Collucci - Folha de SP)

Achei intessante, por isso repasso esta matéria.


Antes mesmo da primeira relação sexual, meninas já podem estar infectadas pelo HPV (papilomavírus humano), principal causador do câncer do colo uterino e que está ligado a outros tumores, como o de ânus e de vulva.
A conclusão vem de três estudos que apontam uma prevalência do vírus entre 10% e 45% em meninas que nunca tiveram relações sexuais, mas que relataram troca de carícias íntimas.
O último deles, publicado em março no periódico "Journal of Infectious Diseases", avaliou 387 adolescentes de 14 a 17 anos. Dessas, 22 eram virgens e também não tinham sido vacinadas contra o HPV.
Testes de PCR (que identifica o material genético do vírus) detectaram em dez delas ao menos um tipo de HPV na região vaginal.
Para Luisa Lina Villa, professora da faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa e pesquisadora do Instituto Ludwig sobre o Câncer, esses estudos atestam o que pesquisadores já tinham observado: o HPV pode ser transmitido sem penetração vaginal.
"Ele é transmitido por células contaminadas, não por fluidos. Pode ser qualquer manipulação, uma mão ou uma boca que já teve contato com o vírus", diz Villa, que pesquisa o HPV há 25 anos.
Rosana Richtmann, infectologista e pesquisadora do Hospital Emilio Ribas (SP) e da Santa Casa, explica que, como o vírus se aloja na pele e fica na região genital e anal, o simples contato entre mucosas favorece o contágio.
"É um vírus muito fácil de ser transmitido, não depende de lesão. Mesmo com a mucosa íntegra, o contágio pode acontecer", afirma o infectologista Esper Kallas, professor da USP. Por isso, ele recomenda a vacinação antes dos 12 anos.
O uso do preservativo, importante para a prevenção de do HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis, pode ajudar, mas não oferece proteção no caso do HPV.
A vacinação, tida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como a principal forma de prevenção contra o vírus, também não imuniza contra todos os tipos de HPV. Existem mais de cem, e a maioria é inofensiva.
A vacina bivalente protege contra os tipos 16 e 18, mais comumente associados a tumores, e a quadrivalente, contra os tipos 6, 11, 16 e 18.
"Mesmo imunizadas, as meninas precisam fazer exames preventivos", diz Kallas.
O Ministério da Saúde está na fase final das negociações para incorporar a vacina contra o HPV no SUS. O acordo prevê a transferência de tecnologia da fabricação de uma das duas vacinas para o país.
Não está definida a faixa etária para a qual a vacina será indicada na rede pública. É provável que seja para meninas entre 11 e 14 anos, mas a imunização é aprovada para meninos e meninas já a partir dos nove anos.
Especialistas preveem polêmica à frente porque muitos pais acham que ela pode ser um incentivo para o início precoce da vida sexual.
Foi esse o argumento usado pelo marido da dentista Ana Lúcia, 39, para tentar demovê-la da ideia de vacinar a filha de 12 anos.
"Já brigamos por isso. Ele acha que a nossa filha é uma criança e que a vacina vai despertar curiosidade sobre o sexo. Não me convenci, mas vou deixar a poeira baixar para voltar ao assunto."
Para Luisa Villa, é preciso derrubar preconceitos. "A vacina da gripe é tomada antes de o vírus circular. Com o HPV é a mesma coisa. Quanto antes, melhor. Não pergunte, vacine."

Matéria da Folha de SP em  04/04/2013.